segunda-feira, 25 de julho de 2011

Estou de Chico

Chico Buarque lança mais um álbum, em um projeto multimídia lançando vídeos de entrevistas, bastidores e músicas pela internet. A quem interessar, segue o link: http://www.chicobastidores.com.br/.

E, claro, quando um artista dessa magnitude lança qualquer coisa, todos os olhos da mídia se voltam a ele. Um dos vídeos mais comentados é aquele onde Chico conta, às gargalhadas, sua reação ao ver as críticas ferrenhas dos internautas a seu respeito. Ficou famosa a sua frase “Você não vai ficar com raiva de quem tem raiva”. A conclusão que se chega é que, quem é grandioso de verdade, encara as piores críticas da melhor maneira possível – rindo.

Eu, na qualidade de fã, muito fã, desse cara, gostaria de partilhar com vocês a minha visão particular do artista Chico Buarque.

Felizmente, tive o privilégio de nascer em um lar onde se ouvia muito Chico. Porém, infelizmente, não tive ainda o privilégio de vê-lo cantar ao vivo, e isso faz parte da minha lista de “coisas para eu fazer antes de morrer” com certeza. Ou antes dele morrer, afinal de contas Chico não é nada novinho.

Minha primeira lembrança de Chico, aliás, minha primeira lembrança musical, é dos meus pais colocando eu e meu irmão no banco de trás do carro e dando voltinhas (pras crianças pegarem no sono) ao som de Chico e Bethânia, em uma fita K7,7 daquele memorável show dos anos 70. O refrão de “Quem te viu, quem te vê” foi facilmente absorvido por mim, e eu adorava cantarolá-lo, apesar de ser só uma menininha.

Durante a infância, e também na adolescência, mesmo com as revoltas sem causa comuns dessa fase, Chico nunca abandonou os meus ouvidos. Foi quando eu percebi que além de lindas, as músicas de Chico sabiam tocar nas feridas da sociedade. Nunca ninguém cantou coisas tão feias como a miséria (“Gente Humilde”) ou a ditadura (“Apesar de Você”) de uma forma tão doce, porém tão veemente.

Os amores que eu vivi, e os que ainda vivo, também sempre foram embalados pelos versos de Chico. Apesar do próprio negar sua fama de “profundo conhecedor da alma feminina”, acredito que Chico Buarque seja o único homem do planeta que entende o que se passa no coração de uma mulher. Quem nunca chorou ouvindo “Trocando em Miúdos”, “Atrás da Porta” ou “Com Açúcar, Com Afeto”, decerto ainda não chorou direito.

E, felizmente, também tive a oportunidade de conhecer amigos que partilham da mesma admiração que eu tenho por Chico, e nossas conversas foram acompanhadas sempre de Chico cantando pra gente: “Meu Caro Amigo” e “Bye Bye, Brasil”, entre um trago e outro (muitos outros) de bebida.

A verdade é que eu quero acreditar que todas as músicas do Chico foram feitas pra mim. Principalmente aquela cujo título é o meu nome, “Angélica”, apesar de saber que foi feita para Zuzu Angel, eu minto pra mim mesma que é exclusivamente minha.

Há muitos que falam mal do Chico. A estes o próprio solta as suas mais deliciosas gargalhadas. Eu não entendo porque gosto tanto dele assim. Gosto porque é bom, porque ele sabe o que faz, porque tem os olhos azuis mais lindos do mundo, gosto porque gosto, simplesmente, e não tento convencer ninguém a gostar.

Chico é isso. É “o que não tem medida nem nunca terá, o que não tem remédio nem nunca terá. O que não tem receita”

Angel

2 comentários:

obarbaloira disse...

Parabéns pelo texto, pelas palavras e pelas definições a respeito de o que é ouvir, sentir e absorver Chico... Parabéns!!

Felippe Aníbal disse...

É bem isso! Sem tirar, nem pôr! Ah, se eu fosse o Chico...