quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Filme sobre Sérgio Nunes

Eu, como cria desse cara foda (Sérgio), não poderia deixar de divulgar esse belo trabalho.

(Texto e entrevista do Curta Ourinhos)

Todas as pessoas que acompanharam o trabalho do artista plástico e diretor teatral Sérgio Nunes poderão agora relembrar um pouco da sua trajetória. Amanhã (16), às 20h30, no Teatro Municipal, o cineasta Rafael Lefcadito lança a sua mais recente produção, o filme Sérgio Nunes: hiperbolismos e aliterações, sobre a vida do artista que, mesmo após a sua morte em 2008, permanece como a mais importante referência não só para os que se dedicam ao teatro, mas para todas as pessoas que enxergam a cultura como uma militância constante. Não a oportunista militância político-partidária, mas a militância de quem se engajou com unhas e dentes naquilo que era a sua maior paixão: a arte.

Rafael Lefcadito teve seu projeto selecionado pelo Edital de Fomento à Cultura, lançado pela Secretaria de Cultura no primeiro semestre de 2010. O lançamento do filme acontece como parte das comemorações do aniversário da cidade. Em entrevista, o cineasta revelou como se deu o processo de pesquisa, as consultas em arquivos públicos e pessoais, as entrevistas com amigos e colaboradores e a busca por novos registros em cidades onde Sérgio atuou. Rafael avalia a importância do trabalho realizado por Sérgio Nunes citando a fala de um dos entrevistados do filme, o professor Mário Bolognesi, do Instituto de Artes da Unesp: “Diria que o Sérgio é responsável pela atual formatação cultural das cidades de Assis e Ourinhos”.
 
Porque escolheu Sérgio Nunes como tema do projeto?

Rafael: Conheci o Sérgio logo quando cheguei a Ourinhos, há oito anos. Vivia trombando com o trabalho dele em todos os cantos, instalações na praça, ensaios e apresentações no teatro, circo e teatro mambembe pela região. Sempre enxerguei muita sabedoria no trabalho de Sérgio Nunes, muita brasilidade. Cheguei a propor fazer um documentário com ele ainda quando vivo, há uns cinco anos atrás, quando voltei do Canadá, mas ele não gostava de ser filmado e eu acabei não insistindo. Retomei então essa idéia do filme sobre a vida dele em função desse prêmio de fomento cultural, que viabilizou a execução do projeto.
 
Qual a importância de se documentar através de imagens a vida do artista?

Rafael: É importante porque reúne grande parte do material audiovisual disponível sobre a vida dele em um mesmo espaço narrativo, o que já significa uma contribuição significativa para a preservação da memória cultural, especialmente de Ourinhos e Assis, onde o Sérgio viveu mais tempo.

Porque o uso dos termos “hiperbolismos” e “aliterações” no nome do filme?

Rafael: Recorri às figuras de linguagem para caracterizar os extremos do Sérgio. A hipérbole seria o lado mais dramático, exagerado e polêmico dele. Autodestrutivo, poderia se dizer. A aliteração seria o lado mais poético, lírico, romântico talvez. Seria como a arte musicando a vida dele, como a música quando “alitera” o literário.
 
Como foi o processo de filmagem? Conseguiu novas informações sobre a vida e o trabalho de Sérgio Nunes?

Rafael: Foi uma maratona. Dois meses de filmagem em Ourinhos, Assis, Maracaí, São Manoel e São Paulo. Conheci pessoas inusitadas, visitei teatros, galpões, escolas, cemitérios, igrejas e casarões. O Sérgio se remexeu no túmulo! Descobri coisas fantásticas sobre ele. Essa figura complexa, que passei a admirar ainda mais.

Sérgio era uma figura controversa. Você percebeu unanimidade em alguma das observações dos entrevistados a respeito do artista?

Rafael: Sim, a entrega dele para com a arte. Sérgio vivenciou a arte em todos os sentidos. Foi uma entrega muito honesta e corajosa. Ele viveu e morreu fazendo o que mais gostava.

Como você percebe o trabalho de Sérgio na vida cultural de Ourinhos e Assis?

Rafael: Não são palavras minhas: “Diria que o Sérgio é responsável pela atual formatação cultural das cidades de Assis e Ourinhos”. De Mário Bolognesi, professor de teatro do Instituto de Artes da Unesp de SP, em entrevista concedida ao projeto.

O olhar de Sérgio Nunes para a cultura era diversificado por excelência. Por isso, atuou em teatro, artes visuais, circo, carnaval, musicais... Fale sobre isto.

Rafael: O cara era foda. Criava com a cabeça e moldava com as mãos. Dirigia os atores, abria a cortina e, não raramente, fazia a sonoplastia. Sempre executando tudo a um baixíssimo custo, reciclando material e reinventando o popular. Artista plástico, idealizador de alegorias, conhecedor de imaginários, artista popular.
 
Como você avalia o crescimento do interesse pelo audiovisual na cidade, a partir da realização do Curta Ourinhos? E a política de lançamento de editais para a escolha de projetos culturais?

Rafael: O audiovisual vem ganhando terreno no interior, mais pessoas interessadas, mais atores em cena. A perspectiva aqui é bastante positiva, com todo esse fomento decorrente do trabalho da secretaria da cultura. Mas tem que haver uma união de forças – por parte dos produtores que já começam a aparecer – e por parte da política cultural que se pretende implementar na cidade para esse segmento. O que também significa um orçamento que viabilize mais produções locais nos próximos anos. Precisamos de um elemento catalisador, acho tudo isso muito possível num futuro próximo.
 
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Tem que ser muito cu da vó para perder isso!
 
Balzak

Um comentário:

Angel disse...

Palmas para ele!!!!